Dezessete notificações, e apenas uma vale a pena ser escrita. Pode parecer esquizofrenia, mas soube isto no momento em que Charlie apareceu… Isto mesmo… Que eu ainda não sei, de sentir. Hello, stranger. Você trouxe coisas boas, e melhor, me trouxe de volta. Aquele garoto afundado no poço da desilusão passou a ser apenas um sonho ruim. Após algumas horas de conversa, você já sabia o porquê da minha tatuagem, assim como eu entendi um pouco do seu passado nem tão distante assim. Já era tarde, e ao invés de um “boa noite”, você disse que é bom encontrar alguém que sabe conversar. “So for once in my life, let me get what I want. Lord knows, it would be the first time” E em uma música, sua banda favorita sintetizava tudo o que eu sentia ao passar dos nossos encontros.
Era fim de 2012 e eu, de fato, era capaz de enxergar uma grande renovação na minha vida. Estávamos num grupo de amigos, mas nos últimos minutos do ano, ficamos sozinhos: eu e você no meio de mais de um milhão de pessoas. Últimos segundos, braços dados, fogos de artifícios, um abraço apertado e um beijo. “And in that moment, I swear we we’re infinite.” São memórias assim que carrego comigo. Todos os acontecimentos negativos, eu prefiro nem citar. Afinal, estar contigo era motivo o suficiente para eu estar feliz.
Ao fim do nosso primeiro encontro, você deixou seu livro favorito comigo. E ao longo dos dias, você me fazia convites para um futuro próximo. E assim, pude acreditar na continuidade de algo que não sei se chegou a começar para você, assim como começou para mim. De qualquer forma, seus olhos não pareciam mentir, muito menos o ritmo da sua respiração ao acordar do meu lado. Não que você tenha mentido, mas omitiu. E omissão é falta, é não não estar ali quando parecia estar, é faltar, é sentir falta.
Peguei meu celular, percebi que excluí seu número da minha agenda, o que não adiantaria, já que eu havia decorado seu telefone. Digitei, disquei, mas desliguei antes mesmo de deixar tocar. Poderia usar como desculpa o seu livro que ainda está comigo, e fazer alguma piada, só para ouvir o som da sua risada, mas tenho medo dela não ser a mesma.
Jean Fonseca