Sensação de superficialidade - ou quem sabe, falta dela - em relação a toda sua existência… Nada mais motivante para um afastamento do universo contemporâneo. Entretanto, quanto mais você tenta submergir outros universos, expirar e ser inspirado por outros ares, mais você encontra ventos antigos. Estes, na verdade, são ventos presentes que remetem ao passado, e que possivelmente tornar-se-ão furacões como os ventos do último outubro, que destruíram seu lar. Um furacão passa, mas destrói tudo aquilo que poderia destruir você, menos você. Um furacão passa, mas destrói sua casa. E como você sempre está no porão, o furacão não destrói você. Você permanece no porão porque é lá, longe de todos os ventos e distrações, que você mais encontra a si, mais é a sua essência. Por mais que a essência de uma pedra preciosa seja bruta, você sempre valorizou a natureza das coisas. A questão é que não foi apenas um furacão que derrubou minha casa, o que ocorreu foi uma verdadeira catástrofe: uma sequência de furacões, pelo menos uns três grandiosos… E por agora, as ruínas me impedem de sair do porão.
Jean Fonseca





