Não sei o real motivo, mas hoje identifico grande importância em algumas coisas. Coisas que para grande parte das pessoas não fariam sentido. Mas acredito que o sentido de cada coisa é baseado no que se é. Sendo assim, uma coisa pode fazer sentido diferente para pessoas distintas. Ou, até, não fazer. Aliás, eu costumava ser o tipo de pessoa que não via sentido nas coisas. Quando eu começava a construir algo, por algum motivo, desmoronava.

Já hoje, enxergo a importância do número um. Hoje faz um mês e um dia que sou feliz. Logo, isso não poderia passar em vão. Nem que seja representado por um único textinho quase ordenado de uma cabeça desordenada e um coração em ordem. Falei tudo isso só pra te dizer o quanto eu valorizo o que temos. Na verdade, diria melhor caso utilizasse o vocábulo “sermos” quando me referir à nós. Ao nosso grau de pertencimento. Eu e você. E no dia de hoje, eu só tenho um desejo: que sejamos unidos. E assim, deixaremos de ser “eu e você” e seremos apenas um “nós”.

Jean Fonseca.

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Dezessete notificações, e apenas uma vale a pena ser escrita. Pode parecer esquizofrenia, mas soube isto no momento em que Charlie apareceu… Isto mesmo… Que eu ainda não sei, de sentir. Hello, stranger. Você trouxe coisas boas, e melhor, me trouxe de volta. Aquele garoto afundado no poço da desilusão passou a ser apenas um sonho ruim. Após algumas horas de conversa, você já sabia o porquê da minha tatuagem, assim como eu entendi um pouco do seu passado nem tão distante assim. Já era tarde, e  ao invés de um “boa noite”, você disse que é bom encontrar alguém que sabe conversar. “So for once in my life, let me get what I want. Lord knows, it would be the first time” E em uma música, sua banda favorita sintetizava tudo o que eu sentia ao passar dos nossos encontros.

Era fim de 2012 e eu, de fato, era capaz de enxergar uma grande renovação na minha vida. Estávamos num grupo de amigos, mas nos últimos minutos do ano, ficamos sozinhos: eu e você no meio de mais de um milhão de pessoas. Últimos segundos, braços dados, fogos de artifícios, um abraço apertado e um beijo. “And in that moment, I swear we we’re infinite.” São memórias assim que carrego comigo. Todos os acontecimentos negativos, eu prefiro nem citar. Afinal, estar contigo era motivo o suficiente para eu estar feliz. 

Ao fim do nosso primeiro encontro, você deixou seu livro favorito comigo. E ao longo dos dias, você me fazia convites para um futuro próximo. E assim, pude acreditar na continuidade de algo que não sei se chegou a começar para você, assim como começou para mim. De qualquer forma, seus olhos não pareciam mentir, muito menos o ritmo da sua respiração ao acordar do meu lado. Não que você tenha mentido, mas omitiu. E omissão é falta, é não não estar ali quando parecia estar, é faltar, é sentir falta. 

Peguei meu celular, percebi que excluí seu número da minha agenda, o que não adiantaria, já que eu havia decorado seu telefone. Digitei, disquei, mas desliguei antes mesmo de deixar tocar. Poderia usar como desculpa o seu livro que ainda está comigo, e fazer alguma piada, só para ouvir o som da sua risada, mas tenho medo dela não ser a mesma. 

Jean Fonseca

Nunca tive insônia. Não que o sono venha todas as noites numa extrema facilidade, mas é só eu começar a sonhar acordado, que sem perceber, adormeço. Talvez as próximas palavras irão fazer com que você me considere alguém infantil, imaturo, com síndrome do Peter Pan, mas preciso dizê-las: eis o que sou, um grande colecionador de sonhos. Do tipo de pessoa que encosta a cabeça numa poltrona, reflete sobre aquilo que deseja e, instantes depois, já acorda assustado. O problema dos sonhos, ou melhor, o nosso problema em relação aos sonhos é esperar que os mesmos se concretizem. Por mais que coisas boas deem certo, já percebeu que nunca é da forma exata que você imaginou!? Ou melhor, que coisas boas mesmo acontecem quando você nem as esperava!? Sonho é utopia, idealização, perfeição - tudo o que se deseja, mas tudo o que é impossível. É o tudo e o nada, ao mesmo tempo. Assim como a utopia, a idealização, a perfeição, e o sempre; o nunca também não existe… Por mais que possa soar de forma paradoxal… Nunca tive insônia… Até a madrugada de hoje. 

Jean Fonseca.

Corredores são possibilidades. A cada passo você pode se deparar com uma folha diferente caída no chão, pode ver uma loja que o desperta vontade de entrar… Em linhas gerais, mais do que um caminho que o leva até algo, um corredor é um mar imenso de possibilidades nas quais você pode imergir. Assim como o mar, é algo concreto, mas que você não pode controlar, não pode conter. Trata-se de um pelo qual eu costumava passar com pressa e sem grande atenção todos os dias, mas haviam três meses que por ele eu não caminhava. Não lembro o motivo, mas as pessoas estavam mais eufóricas no dia em questão do que em dias normais. É, realmente não era um dia normal. Eu mantive meu passo lento, os fones no ouvido tocavam uma versão de Lana Del Rey para “Goodbye Kiss”, e por um instante, parei.
O sol parecia mais quente naquele dia. Devia ser isso que fritava os neurônios de todas aquelas pessoas eufóricas e totalmente aleatórias ao longo do corredor. Certamente foi isso que queimou os meus, e assim, tomou toda a minha racionalidade. Afinal, no momento em que os raios de luz iluminaram o seu rosto, seu sorriso tomou toda minha energia e não consegui mover meus olhos à outro lugar. Olhares trocados, um amigo em comum, um curso universitário em comum, e já me pareciam motivos suficientes para me fazer ir até você. No princípio, não consegui que isso fosse feito. Cheguei a pensar no que poderia ser dito, mas a racionalidade levou minhas palavras juntas a ela. Agradeço ao destino, este sim era alguém que parecia querer nos unir. E você veio até mim, com um “oi” tímido e ousado, ao mesmo tempo. Horas depois de uma conversa intensa, fui capaz de perceber que nós tínhamos muito mais em comum do que um colega e uma graduação. Aliás, no dia seguinte tivemos um beijo em comum.
Uma semana depois, já éramos íntimos como se nos conhecêssemos há meses. Andávamos pelos corredores em sintonia, o que os tornou muito mais atraentes, e desejáveis. Fizemos do corredor o nosso lugar, uma passagem para nós. Entenda “nós” como a nossa existência, não algo separado, mas algo único. Apelidos surgiram, brincadeiras internas, e qualquer pessoa era capaz de ver que meu rosto estava tomado por um sorriso, pelo seu. Nós poderíamos continuar a caminhar pelo corredor durante a eternidade, embora nossas existências sejam muito menores a mesma.
Você odiará este parágrafo, justamente porque você quereria que eu tivesse lembranças boas de ti. Mas em 28 de setembro, no meio do mar que era incapaz de camuflar a quantidade de lágrimas, você pediu para que mantivéssemos distância, e assim, se fez. E a partir daquele momento, passou a ser uma prova de resistência passar pelo o que era o nosso corredor sozinho. De certa forma, nosso mar secou, a temperatura passou a ser alta, escaldante, e além de lembrar você, eu só notava que eu parecia viver o inferno de Dante. Algumas vezes cheguei a te avistar, mas preferi achar que fosse uma miragem, e talvez realmente fosse.
O mesmo corredor que nos uniu, destruiu. Desculpe-me por lembrar de tudo isso, é que eu precisava voltar ao início do corredor para saber ir embora.

Jean Fonseca

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A linha tênue entre se envolver ou não com alguém tem sido um abismo. E a sexta-feira da paixão, hoje é de solidão.
Jean Fonseca

As vezes penso em te procurar. Assim, pra me sentir em casa em qualquer lugar. Porque a estrada é longa e árdua na volta para o lar. E lá ou cá, sem você não há mar, nem amar.
Jean Fonseca

Um menino fugidio
que conheci
mas não sei se conheço

Um menino fugidio 
que dizia
- eu tô, eu sou

Mas estar não basta
quando é um dever
estar não basta
para ser

Menino fugidio
prometera sua permanência
mas o feito
foi sua ausência

Menino fugidio
acha que viver
não é pertencer

Menino fugidio 
acha que achar
está nos outros

Menino fugidio não sabe
que se achar
é em si
e não se acha

Menino fugidio não acha
menino fugidio perde
e não acha mais
se perde

se perde

perder-se-á.

Jean Fonseca

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Você é vendado, chega num lugar, não sabe do que se trata. Tudo parece ser projetado apenas pela sua cabeça. E realmente é, mas também é real. Musmurros, monogamia, e então, tudo se esvai. É como se você não tivesse com o que se preocupar, mas com o que passar o tempo e você ama isso. Você está dentro de uma máquina, não sabe quem o colocou nela, nem o que ela fará contigo. Talvez você tenha entrado na máquina sozinho, mas nem essa dúvida te intrigava. Você apenas desejava estar, porque a ti sempre bastou estar para ser. A única coisa que você sabe é que a máquina te faz bem, bem infinito, bem o qual você nunca havia sentido, bem-me-quer. Sua casa já não era a mesma de antes, sua casa era a máquina, e a esta, você não poderia proferir um pronome possessivo. Sua mãe sente sua falta, seus amigos… Quando você se vê, você está dentro de uma máquina explodida, você não se pertence mais, seu corpo não obedece aos seus comandos e tudo que você sente é dor. Você pertence à máquina. Se me falassem que os católicos utilizavam a paixão durante a Santa Inquisição como objeto de tortura, eu acreditaria.

Jean Fonseca.

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Sempre fui fascinado por coisas antigas. Lembro-me de minha infância, quando eu adorava as moedas velhas que meu pai guardava no fundo da gaveta, como relíquias de um tempo que se foi. Não tinham o menor valor, mas para mim, eram verdadeiras preciosidades. Costumava espalhar discos de vinil pela casa e ficar a ouvir Elton John ou The Beatles como se eu não pertencesse àquele tempo. Algo inegável era a ideia de que eu não tinha a menor habilidade para me equilibrar em relação ao tempo. Nunca soube quando seria o momento de cada atitude ou palavra. O passado sempre influenciou muito o meu presente, se não, eu vivia o presente com a cabeça voltada para o futuro, a pensar nas consequências que viriam a tona. O fato é que elas nunca vinham, o destino tem uma habilidade incrível em nos surpreender. E quanto mais acho que sei de mim, mais percebo que não sei. Obrigado por ser meu presente, presente. 

Jean Fonseca.

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Aqui jaz um jazz

que fiz pra você dançar

Mas você me diz

“sozinho não sei dançar”.

Fui eu então, acompanhar

Aprendi a dançar

e fiquei a dançar,

até você me abandonar.

Compus um jazz

pra você dançar,

mas quem dançou fui eu.

Jean Fonseca.

thinkingofuforever

oi vc ainda lembra de mim? acho que não , enfim vc sumiu e me deixou ;-; maguei </3 tipo muito ;--; Nathalia Libardi aqui ;-;

Claro que lembro de você, saudade. Eu não entro mais no msn, comentei no seu blogspot um dia desses…

Uma voz incrível não basta para fazer um grande artista. Deus ou seja lá quem, se é que há quem molde a vida terráquea, não nos deu nada tão entregue assim. Tudo deve ser alcançado. Por mais que exista algo que seja praticamente impossível à determinada pessoa e de facilidade extrema para outra, sempre haverá algo que será tão praticamente impossível quanto para a última… De modo que as coisas tendam a ser mais justas. Sua vida nunca será perfeita e satisfatória em todos os campos. Entretanto, as vezes parece que nós vivemos dentro de um carro de vidros fechados e embaçados, por toda a tempestade que ocorre lá fora. Você olha para o lado e enxerga as coisas turvas, seu limpa-vidro não funciona, você não consegue olhar para frente e sua única vontade é esperar a tempestade passar. 

Jean Fonseca.


Já pensei em carma ruim, que talvez eu fosse pessimista demais… Mas, ultimamente, costumava pensar que as coisas não ocorrem da maneira que desejo na minha vida porque a mesma não é uma estante. Não se pode pegar um objeto, que equivaleria a algum campo da sua vida, tirar a poeira e colocá-lo no devido lugar. Na realidade, a maioria dos objetos estão fora do seu alcance. Apesar de nada ter o seu devido lugar, você deve se colocar no devido lugar, para que consiga ajeitar o restante da estante. Sua autobiografia é o componente mais importante da sua estante, é ela que define qual será a ordem dos livros… E algo peculiar sobre sua autobiografia, é que ela só pode ser escrita por você mesmo.

Jean Fonseca.

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